artista & comunicadora



Declaração de Estado de Cairo Braga, Maio de 2016

categoria : Cairo Braga, Fluxo de Consciência, Meta · (2) Comments maio 11th, 2016
Declaração de Estado de Cairo Braga, Maio de 2016

Venho por meio desta declarar o meu estado no presente mês de Maio do ano 2016, como conseqüência de acontecimentos…

à pista de dança

categoria : Cairo Braga, Fluxo de Consciência, Meta, Música · (2) Comments maio 5th, 2014

a pista de dança é o meu laboratório.
é onde o ouvido físico e o ouvido psíquico se unem pela inescapável vibração do corpo inteiro e absoluto.

a pista de dança é o meu hospital.
é onde todos os males são tratados e queimados pelos poderes tão-humanos da transpiração e da performance.

a pista de dança é a minha sala de estar.
é onde todos os amores se convergem em ordens aleatórias e os desamores podem ser ignorados, por mais que estejam logo ali ao lado.

a pista de dança é a minha igreja.
é onde o calor e a entrega emanam em louvor a um algo intangível que move multidões, mentes e corações.

a pista de dança é minha.


[uma pequena ode às pistas em que já fui, sou e serei feliz: Gallas Bar (Mongaguá); Rep. Cremosita, Rep. Rodox, Rep. Casa da Praia, Rep. Cabaret, Gig, Banana Brasil, Palquinho DCE/UFSCar (São Carlos); Void Club (Guarulhos); DEX Bar, ALôca, Ursound, Bar do Netão, Sonique, ABC Bailão, Morrison Rock Bar, Las Magrelas, Largo da Batata, Clube Homs (São Paulo).]

espelho e texto

categoria : Cairo Braga, Fluxo de Consciência · No Comments set 24th, 2013

existem certos textos que quando lemos nos sentimos como que olhando no espelho. mas é mais forte que isso.

espelhos mostram apenas as superfícies. nos textos podemos ler nas entrelinhas e somos obrigados a encarar faces de nós mesmos que não sabíamos que estavam lá, ou que até sabíamos mas preferimos ignorar por quaisquer razões.

nos ultraja que outra pessoa através das palavras provoque essa situação, às vezes nos ofende e nos irrita. mas também é uma prova de amor humano e verdadeiro, uma lembrança de que viver juntos é um prisma infinito e não apenas um sorriso numa superfície espelhada.

O eterno retorno

No novo episódio do vlog, depois de um hiato de 6 meses, eu anuncio oficialmente a nova fase dentro da minha persona-processo artística. Assistam abaixo:

Pois é, imaginem o meu desespero ao perder tantas horas de trabalho e emoção por causa de problemas no cabo SATA do meu computador. Mas as coisas deram um jeito de acontecer e esse meu próximo passo nada mais é que uma tímida apresentação de quem eu fui, quem eu sou e quem eu posso ser como artista.

Num momento delicado da minha vida em que imerjo numa reflexão causada por novas auto-descobertas, seria estúpido de minha parte não mostrar minha arte que precede meu eu atual pra todo mundo que quiser experimentar. Quem eu fui está estampado nesses EPs que estão por vir porque essa é a minha motivação fundamental pra fazer qualquer tipo de arte: me expressar. Claro que a partir disso muitas camadas e caminhos se constroem, mas o cerne da questão é sempre presente.

Por mais que neste momento essas músicas soem distantes, ingênuas e até um tanto quanto vexatórias, não posso negar que elas ainda fazem parte de mim. E minha vontade de que outros me ouçam é enorme, chega a dar borboletas no estômago.

THE BEACHTOWN YEARS VOLUME ONE & VOLUME TWO já estão em pré-venda em http://cairobraga.bandcamp.com

VOLUME ONE sai dia 27/08/2012 e VOLUME TWO sai dia 28/09/2012

“As noites são escuras, e os dias, São Carlos”

…yesterday I had the longest ever dream…

Um sonho que durou 4 anos incríveis. Mas os sonhos precisam acabar para outros começarem. Obrigado a todos que fizeram parte dessa jornada que foi a graduação e os meus primeiros anos morando sem meus pais. Eu cresci graças a todos vocês, podem ter certeza.

E, claro, obrigado à cidade que me acolheu e que permitiu que minha estrela brilhasse no seu céu. Por tudo de bom e de ruim, São Carlos, eu te amo e eu te odeio.

Vinte e um anos

É tempo pra porra, amigos. Mais de duas décadas de vida. Um ano mais velho que o disco mais importante dos anos 1990 e da minha vida (mas isso é assunto pra outro post…).

Hoje completo vinte e um anos fora da barriga de mamãe. Um aniversário complexo, eu diria. O melhor da minha vida até agora, sem sombra de dúvidas. Mas vamos nos focar, rs.

Estou comemorando esse dia desde o começo do mês, como já é de praxe. Muita festa, muito amor e muitos sorrisos. Mas hoje eu vim falar que aquele chamamento geral que eu fiz no começo de Agosto finalmente teve seu resultado divulgado. Lhes apresento, no dia do meu aniversário, o episódio introdutório do meu mais novo projeto experimental, o vlog intitulado the elegant elephant;.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2lypmlrVte0&w=490]

11 lindas pessoas tiraram um tempo de suas vidas pra me dizer quem sou eu e deu nisso aí. Um exercício de narcisismo, uma massagem no ego disfarçada de arte comunicativa do século vinte e um, uma saraivada de amor.

Amor também é o que tem nesse pequeno trecho de texto de autoria de Jean Claude Carriere em que ele discorre poeticamente sobre a função que eu exerço em sets de filmagem desde o segundo ano de faculdade e, quem sabe, ainda exercerei pelos anos que virão.

sound is poetry

Muito obrigado ao companheiro Vitor Vilaverde por ter me enviado isso no dia do meu aniversário (além de um email lindo, mas esse é só pra mim, rs), me fazendo ver que existe sim a poesia que eu procuro em tudo que eu faço.

Um aniversário com gosto de despedida, um aniversário com gosto de vitória, um aniversário repleto de amor. Mais do que nunca minha Deusa Absoluta Björk está certa: all is full of love.

E tudo que eu posso dizer e nunca vou cansar de repetir a todos vocês aí do outro lado da tela, todos vocês, todos, é: MUITO OBRIGADO!

Listas 2010: Os Melhores Álbuns

categoria : Cairo Braga, Fluxo de Consciência, Música · No Comments ago 2nd, 2011
Não que eu tenha passado esse tempo todo fechando essa lista, ela está fechada desde Janeiro de 2011. Mas assim como o Soda Indie demora semanas para publicar um review, eu demorei meses pra sentar e escrever essa lista que, sim, foi difícil de fazer. 2010 teve tantos discos fodas de bons (e olha que eu não ouvi nem um terço do número de álbuns que o Felipe Killer do Vinyyyl ouviu, por exemplo) que foi muito difícil fazer essa lista, talvez a minha mais pessoal até o momento. Tanta dificuldade me fez fazer um Top 10 extremamente baseado em conexão emocional com 12 álbuns já que 3 dividem igualmente, lado a lado, o topo da lista porque eu não consegui decidir qual era melhor que o outro.
Então, com quase 9 meses de atraso (uma gestação) e com perigo de ser 300% irrelevante a essa altura do campeonato, eu lhes apresento aqueles que foram os 10 melhores álbuns de 2010 na minha opinião.
Se prepara psicologicamente porque o post tá monstruoso!
Se preparou? Mesmo? Olha lá, hein, eu não me responsabilizo por quaisquer danos que você sofrer depois do pulo!

Lucille Bogan, nós e o sexo

categoria : Cairo Braga, Fluxo de Consciência, lgbt, Música · (4) Comments abr 7th, 2011

Há algum tempo o querido Felipe Killer (do Vinyyyl) postou em seu twitter um link para uma música um tanto quanto surpreendente para ouvintes mais incautos. Era uma versão “secreta” de um sucesso da cantora de jazz dos anos 20, 30 e 40 Lucille Bogan: “Shave’em Dry“.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2ko2VXpW7_g&w=490]

Acompanhe a letra:

I got nipples on my titties, big as the end of my thumb,
I got somethin’ between my legs’ll make a dead man come,
Oh daddy, baby won’t you shave ‘em dry?
Now, draw it out!
Want you to grind me baby, grind me until I cry.
(Uh, huh.)
Say I fucked all night, and all the night before baby,
And I feel just like I wanna, fuck some more,
Oh great God daddy,
(Say you gonna get it. You need it.)
Grind me honey and shave me dry,
And when you hear me holler baby, want you to shave it dry.
I got nipples on my titties, big as the end of my thumb,
Daddy you say that’s the kind of ‘em you want, and you can make ‘em come,
Oh, daddy shave me dry,
(She ain’t gonna work for it.)
And I’ll give you somethin’ baby, swear it’ll make you cry.
I’m gon’ turn back my mattress, and let you oil my springs,
I want you to grind me daddy, ‘til the bell do ring,
Oh daddy, want you to shave ‘em dry,
Oh great God daddy, if you can’t shave ‘em baby won’t you try?
Now if fuckin’ was the thing, that would take me to heaven,
I’d be fuckin’ in the studio, till the clock strike eleven,
Oh daddy, daddy shave ‘em dry,
I would fuck you baby, honey I’d make you cry.
Now your nuts hang down like a damn bell sapper,
And your dick stands up like a steeple,
Your goddam ass-hole stands open like a church door,
And the crabs walks in like people.
Ow, shit!
(Aah, sure enough, shave ‘em dry?)
Ooh! Baby, won’t you shave ‘em dry
A big sow gets fat from eatin’ corn,
And a pig gets fat from suckin’,
Reason you see this whore, fat like I am,
Great God, I got fat from fuckin’.
Eeeeh! Shave ‘em dry
(Aah, shake it, don’t break it)
My back is made of whalebone,
And my cock is made of brass,
And my fuckin’ is made for workin’ men’s two dollars,
Great God, round to kiss my ass.
Oh! Whoo, daddy, shave ‘em dry

O lance é que essa canção em especial chama a atenção por ser bem explícita mas durante os anos 20, 30 e 40 o jazz safadinho, cravejado de duplos sentidos e eufemismos sexuais, era mais comum nos Estados Unidos do que se conhece abertamente. E mais ousado do que o bitch pop de hoje em dia, que se proclama tão prafrentex e libertário, mesmo pros nossos padrões.

Tudo isso me trouxe à memória uma discussão que tive com meu pai sobre como da geração dele para a minha ouve um processo de encaretização do sexo. Sim, a expressão social da sexualidade no cotidiano e na cultura pop se tornaram realmente mais evidentes e derrubaram tabus dos anos 60 pra cá, mas por algum motivo a maneira como a juventude vive a sexualidade hoje em dia é repleta de amarras, preconceitos e valores conservadores que não condizem com todo o discurso de que somos mais livres sexualmente que nossos pais e avós.

Os relatos e conselhos de meus pais relacionados ao sexo com base no que eles viram e viveram em sua juventude me faz entender porque tanta gente ainda se escandaliza com certas declarações que faço em mesas de bar e conversas nos fóruns e chats interwebs afora. Digo isso porque o que eu estou vendo e vivendo na minha juventude é de algum modo decepcionante para um pré-adolescente que cresceu ouvindo borbulhantes declarações sobre como a minha geração é livre, tolerante e livre de preconceitos. Sim, porque toda essa caretice sexual afeta diretamente todo o resto de nossas vidas, inclusive os preconceitos. Mas isso é sabido e não quero ser redundante.

Muito se diz sobre como a ação social coletiva é a chave da mudança de paradigmas para uma geração e/ou sociedade, mas não adianta nada toda uma conjuntura de mobilização com objetivos comuns se dentro de cada uma das pessoas envolvidas ainda residem modelos medievais de relação sócio-sexual, preconceitos íntimos e medo do novo. Falando especificamente do meio LGBT, a reprodução dos modelos heteronormativos é algo ainda muito forte nas relações e nos relacionamentos, e isso me incomoda muito porque tudo isso acaba, no frigir dos ovos, atravancando nossas lutas polítcas contra o machismo e a homofobia, afinal essas duas coisas seguem firmes e fortes dentro do próprio universo LGBT.

Enquanto pessoas como eu ainda forem tachadas de “avançadinhas demais” por pessoas que acham que o gay efeminado é sempre quem dá o rabo, que engolir porra é nojento e degradante, que se define como o homem ou a mulher da relação e insiste no conceito castrador cristão da promiscuidade, nossas metas de mudança social estarão sempre enfraquecidas e dependentes de uma certa sorte pra acontecerem como desejamos.

Se em 80 anos passamos de shows onde cantoras como Lucille Bogan cantavam o sexo com imagens explícitas e bem humoradas com liberdade para um clipe sem graça e sem força como “S&M” de Rihanna censurado em dezenas de países por seu “conteúdo sexual pesado”, está mais do que na hora de repensar a liberdade sexual dos nossos dias, não tão livre como pensamos que ela é.

Existe a famosa frase: “Pense global, aja local”. Ela também vale pro sexo.

São Carlos, 23 de Agosto de 2010

categoria : Fluxo de Consciência · (4) Comments ago 25th, 2010

São Carlos, 23 de Agosto de 2010

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